Algumas mágoas tem âncoras, ficam presas em nós.
Clarissa Corrêa. 
Eu me lembro da primeira vez que eu te vi, seu cabelo estava com duas tranças ao invés de uma. Eu também lembro quando você cantou na aula de música, a professora perguntou “Quem conhece a canção do vale?” e você levantou a mão, depois disso, eu ficava olhando você ir pra casa… todos os dias.
Jogos Vorazes. 
Dou colo para quem precisa, dou a mão para os amigos, seguro a onda de quem eu amo. E quem segura a minha? Olho para os lados, para baixo, para o alto (talvez procurando um sinal) e encontro o quê? Nada. Ninguém, a não ser aquele desconforto de saber que no final das contas nós temos somente nós mesmos.
Clarissa Corrêa.
Talvez eu não tenha pedido ajuda com palavras, talvez eu tenha virado o rosto para esconder uma lágrima e sim respondi “Estou bem, obrigada e você?”. Mas eu nunca achei que precisasse de ajuda, sempre odiei que me vissem chorando e nunca gostei de falar sobre os meus problemas. O problema na verdade, sou eu. Não sou boa o suficiente para esse mundo, para essas pessoas. Fazer faculdade, ter um emprego, ter um bom salário, são coisas que nunca me fariam feliz. A minha felicidade tá na liberdade que nunca tive.
— Anne, coração partido.   
Mas você não me atura triste, você não aguenta meu mau humor, não sabe lidar com a minha tpm, você não suporta minha carência, você não entende minha insegurança. Isso tudo porque você se apaixonou pela garota alegre, que fala com todo mundo, que é simpática com todo mundo, sempre de bem com a vida, que sempre aparecia segura, sem vergonha de falar o que pensa, mas eu não sou assim, não de verdade, você não entende, você não me entende, você se apaixonou por uma garota que não existe, isso é tão triste, eu pensei que você era diferente, do tipo que consegue enxergar além, além de tudo que eu aparentava ser, eu estava enganada, tão iludida com a possibilidade de ter alguém que me entendesse.
Emotizar. 
E eu ficava nessa coisa de ser extremamente feliz ou ser mais que extremamente triste. Sempre foi assim, não vou dizer que nunca tive meios termos, claro que tive, tinha dias que eu não me importava com nada, falava nada, virava uma observadora, mas eu não estava triste e também não estava feliz. Mas eu estou tão cansada disso tudo, tão cansada de me dedicar a essas pessoas, tão cansada de lutar para ser alguém, minha vontade é de me jogar no nada e ser nada. Não me importar com nada, ser totalmente invisível para todos, sem precisar ficar me esforçando para ser algo para alguém. Tenho me aproximado da solidão, tenho gostado tanto dela que até me irrito quando alguém a rouba de mim. Tô começando a deixar de ser extremamente feliz ou mais que extremamente triste, para ser extremamente nada.
— Anne, coração partido.  
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão
A vida é sempre aquela dança
Onde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar.
Chico Buarque.   
Moça risonha, que ri e sonha.
Mário Quintana.